Anseios e desventuras
Amo intensamente e sinto demasiadamente. Meus sonhos e desejos são tão vastos que aceito a possibilidade de realizar qualquer coisa que minha mente conceba. Contudo, o choque contra o mundo externo e seus corações conturbados continua a apartar-me. E como posso experienciar uma alegria tão vibrante e, simultaneamente, uma infelicidade tão avassaladora? Como posso continuar a amar com tamanha veemência, se esse mesmo sentimento já me infligiu dor e sofrimento imensuráveis? Meu coração, tão confuso e tolo, é atraído pelo calor das chamas mortais da paixão, ao passo que venera a lua e a noite gélida, envolta em sua melancólica escuridão. Vertendo lágrimas imaculadas, como chuva ao alvorecer, carrego as tristezas do mundo sobre meus ombros. E, mesmo assim, continuo a amar, e sinto que amarei até o fim de todas as coisas. Mesmo quando o céu cessar suas lágrimas e os mares se transformarem em desertos, quando não houver mais música e o silêncio prevalecer, e tudo finalmente se acaba...