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Anseios e desventuras

Amo intensamente e sinto demasiadamente. Meus sonhos e desejos são tão vastos que aceito a possibilidade de realizar qualquer coisa que minha mente conceba. Contudo, o choque contra o mundo externo e seus corações conturbados continua a apartar-me. E como posso experienciar uma alegria tão vibrante e, simultaneamente, uma infelicidade tão avassaladora? Como posso continuar a amar com tamanha veemência, se esse mesmo sentimento já me infligiu dor e sofrimento imensuráveis? Meu coração, tão confuso e tolo, é atraído pelo calor das chamas mortais da paixão, ao passo que venera a lua e a noite gélida, envolta em sua melancólica escuridão. Vertendo lágrimas imaculadas, como chuva ao alvorecer, carrego as tristezas do mundo sobre meus ombros.  E, mesmo assim, continuo a amar, e sinto que amarei até o fim de todas as coisas. Mesmo quando o céu cessar suas lágrimas e os mares se transformarem em desertos, quando não houver mais música e o silêncio prevalecer, e tudo finalmente se acaba...

Pequeno ensaio

               Não sei mais quem sou, se é que algum dia fui alguém. Aquilo que já vivi parece ter sido outra pessoa, lembranças de um estranho adormecido em meu coração. As memórias que carrego são como sombras distantes, ecoando em um vazio que não consigo preencher.                Se algum dia cheguei a trilhar um caminho, perdi-me no emaranhado de cruzamentos e estradas percorridas ao longo dos anos. Caminhos que se desdobravam diante de mim como labirintos intrincados, repletos de escolhas e desvios. Tantos longos anos que, ao mesmo tempo, parecem minutos, fragmentos de tempo estilhaçados ao chão, como peças de um quebra-cabeça interminável, do qual já não tenho mais esperança de decifrar.                As jornadas que percorri, as faces que encontrei, todas parecem pertencer a um sonho distante. Cada momento vivido, cada sorriso e lágrima, par...

Eterna Testemunha

               São lembranças que me adentram num mar de tristeza. E não importa o quanto eu tente escapar, a realidade é sempre a mesma, dilacerante como um inverno eterno, imutável e implacável.          A felicidade, sempre escassa, não é capaz de levar embora a tristeza.          Certos sentimentos jamais encontrarão morada em outrem. Certas perguntas permanecerão sem respostas, e certos corações sempre irão sangrar.             Serei então a eterna testemunha das aflições humanas, portador da alvorada. E mesmo que tudo seja dor e tristeza, o brilho ofuscante da esperança surgirá, e lá, no final de todas as coisas, a luz uma vez mais acenderá aos gélidos corações, e todo sofrimento será soprado para longe. Texto originalmente escrito em 12/02/2010

Distante Paisagem

            "Às vezes me sinto apagado deste mundo, como se eu nunca tivesse existido para as pessoas ao meu redor, como uma bela e distante paisagem, manchada com uma borracha de dor e tristeza."   Nota do autor:             Este pequeno texto foi escrito em março de 2007. Lembro-me de uma maneira muito vívida da ocasião em que essas palavras vieram a mim. Eu jazia sentado num pequeno banco durante o intervalo das aulas, observando as pessoas interagindo umas com as outras, enquanto refletia sobre o quanto era difícil, para mim, agir daquela maneira.              Ao passo que notava essa incapacidade, percebia que isso me isolava dos outros, causando-me profunda melancolia. Porém, apesar da tristeza, às vezes me sentia reconfortado, arrisco dizer que até feliz, pois me sentia como se estivesse numa posição privilegiada, e pudesse assim observar detalhadamente aquele mundo tão distan...

(Des)Encanto

Meu vago encanto repousa em descanso, silencioso, assim como os meus sonhos, jazidos na extremidade mais obscura da alma. Aqui, a pálida luz purificadora torna-se devaneio, oscilante, em águas profundas e esquecidas, onde a esperança as vezes se banha, clamante, pelos sonhos adormecidos, desvanecentes… Os sonhos que sonham. E no final, restarão apenas as lembranças, marcadas em cicatrizes que percorrem os entes, como um emaranhado de cordas, que vez ou outra envolvem corações solitários, que encantam-se, mesmo que brevemente, confortando momentaneamente suas aflições.

Corações solitários

         São lembranças que afundam-me num mar de tristezas.           Não importa o quanto eu tente escapar, a realidade é sempre a mesma, dilacerante como um eterno inverno, imutável, implacável. A felicidade, sempre escassa, não é capaz de levar embora a infelicidade.          Certos sentimentos jamais poderão encontrar um lar em outros corações, certas perguntas permanecerão sem respostas, e certas almas sempre irão sangrar.          São eternas testemunhas das aflições humanas, e embora envoltas no véu da melancolia, portam em si a dourada alvorada. E mesmo que tudo seja dor e tristeza, o brilho ofuscante da esperança permanecerá, como a última estrela do firmamento, cintilando só, no fim absoluto de todas as coisas.                                    ...

O Beijo da Filha do Vento

"Um brinde às boas lembranças, que elas permaneçam sempre guardadas em meu coração. E, em memória daqueles que um dia eu amei, sempre seguirei os meus sonhos.  Enquanto este magnífico sopro balouçar as árvores, ao passo que levanta a flora aos céus e toca suavemente meu rosto, murmurando ao mais íntimo de meu ser coisas sobre a paz e a harmonia dos elementos, saberei que sempre valerá a pena viver.  E em plena alegria e contentamento saúdo a natureza, o Amor, e também a Deus, que está presente em mim e em tudo que move o universo”. Nota do autor: Este texto foi originalmente escrito em 23/07/2007, e possivelmente, fora a mais sublime inspiração que tenha me tocado.  Era uma tarde serena, o vento beijava meu rosto e acariciava meus cabelos, o bosque exalava harmonia e plenitude. O que mais poderia transbordar de meu coração, se não alegria e euforia diante de tal espetáculo? Em silêncio, contemplei aquele momento de resplandecência. E então, senti-me como um instr...