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Mostrando postagens de maio, 2024

Anseios e desventuras

Amo intensamente e sinto demasiadamente. Meus sonhos e desejos são tão vastos que aceito a possibilidade de realizar qualquer coisa que minha mente conceba. Contudo, o choque contra o mundo externo e seus corações conturbados continua a apartar-me. E como posso experienciar uma alegria tão vibrante e, simultaneamente, uma infelicidade tão avassaladora? Como posso continuar a amar com tamanha veemência, se esse mesmo sentimento já me infligiu dor e sofrimento imensuráveis? Meu coração, tão confuso e tolo, é atraído pelo calor das chamas mortais da paixão, ao passo que venera a lua e a noite gélida, envolta em sua melancólica escuridão. Vertendo lágrimas imaculadas, como chuva ao alvorecer, carrego as tristezas do mundo sobre meus ombros.  E, mesmo assim, continuo a amar, e sinto que amarei até o fim de todas as coisas. Mesmo quando o céu cessar suas lágrimas e os mares se transformarem em desertos, quando não houver mais música e o silêncio prevalecer, e tudo finalmente se acaba...

Pequeno ensaio

               Não sei mais quem sou, se é que algum dia fui alguém. Aquilo que já vivi parece ter sido outra pessoa, lembranças de um estranho adormecido em meu coração. As memórias que carrego são como sombras distantes, ecoando em um vazio que não consigo preencher.                Se algum dia cheguei a trilhar um caminho, perdi-me no emaranhado de cruzamentos e estradas percorridas ao longo dos anos. Caminhos que se desdobravam diante de mim como labirintos intrincados, repletos de escolhas e desvios. Tantos longos anos que, ao mesmo tempo, parecem minutos, fragmentos de tempo estilhaçados ao chão, como peças de um quebra-cabeça interminável, do qual já não tenho mais esperança de decifrar.                As jornadas que percorri, as faces que encontrei, todas parecem pertencer a um sonho distante. Cada momento vivido, cada sorriso e lágrima, par...