Anseios e desventuras

Amo intensamente e sinto demasiadamente. Meus sonhos e desejos são tão vastos que aceito a possibilidade de realizar qualquer coisa que minha mente conceba. Contudo, o choque contra o mundo externo e seus corações conturbados continua a apartar-me.

E como posso experienciar uma alegria tão vibrante e, simultaneamente, uma infelicidade tão avassaladora? Como posso continuar a amar com tamanha veemência, se esse mesmo sentimento já me infligiu dor e sofrimento imensuráveis? Meu coração, tão confuso e tolo, é atraído pelo calor das chamas mortais da paixão, ao passo que venera a lua e a noite gélida, envolta em sua melancólica escuridão. Vertendo lágrimas imaculadas, como chuva ao alvorecer, carrego as tristezas do mundo sobre meus ombros. 

E, mesmo assim, continuo a amar, e sinto que amarei até o fim de todas as coisas. Mesmo quando o céu cessar suas lágrimas e os mares se transformarem em desertos, quando não houver mais música e o silêncio prevalecer, e tudo finalmente se acabar.


Nota do autor: 

O texto acima foi originalmente escrito em 20/07/2009, e é estranho notar que, quase 15 anos depois, certas coisas nunca mudaram e talvez nunca mudarão. Pois, por mais que essa década e meia tenha me trazido ainda mais desventuras, jamais desistirei de buscar aquilo que desejo de mais profundo, pois tal é a essência do meu ser. Mesmo que o mundo ao meu redor se transforme em gelo e pedra, como os corações que nele habitam, continuarei fiel àquilo que me move, até os confins do mundo.




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