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Mostrando postagens de dezembro, 2020

O Forte

Sou atraído e traído por percepções antes inexistentes, um novo mundo se abriu diante de mim, e agora não há mais volta. Sinto-me denso, transbordando intenções, sentimentos, expectativas e interesses que não me pertencem. Então, por qual motivo estão aqui? Meu forte foi tomado, a individualidade antes reinante contaminou-se com uma coletividade de coisas pútridas, sem nome e sem aspecto, vindas de outras realidades puramente animalescas e primitivas. Ora, quem as permitiu que entrassem, se não eu mesmo? Antes senhor de minha própria fortaleza. Abri meus portões para sair e respirar novos ares, contemplar novos horizontes, adaptar-me e não perecer no sufocamento estrondoso da voz esmagadora que vos fala agora. Não alcanço pois, qual dos males é o mais ameno? Vender-se ao alheio e perder a própria essência, ou desvanecer-se e perder-se eternamente em meio ao tempestuoso e esmagador labirinto do coração, berço de mim mesmo e da maior de todas as virtudes, a própria razão.