Senhoras e o destino

O destino está na boca de todos, diluído e aparente em muitos níveis e em muitos assuntos. Se o Destino é uma entidade, ele se faz presente em nosso mundo, nas conversas de bar, cafés, músicas, bordeis e qualquer outro lugar que haja interação humana. Nós, em nossa incapacidade de entender os mecanismos que regem nossa existência, nomeamos e falamos sobre coisas que não entendemos e não sabemos de onde vem, como se a conhecêssemos desde sempre. No maior dos apelos convocamos também a ciência, como entidade capaz de explicar qualquer coisa, mesmo que falha ou incompletamente, pois ela só explana coisas sobre as quais seres falhos conseguem discernir em suas limitadas capacidades. 

    As senhoras conversam veementemente sobre experiências que formaram conceitos concretos em suas vidas, dialogam sobre diversos aspectos da vida, de si próprias e de terceiros. Tudo é concreto e certo, pois formaram-se nos assuntos humanos. Entretanto não demora e o Destino é invocado em meio as palavras, a entidade enigmática e onipresente, que tudo justifica e acata. Tal como a ciência, o destino surge para dizer e explicar coisas que não compreendemos realmente, pois preenchem as lacunas e o vazio que não podemos ver, mas sentimos, assim como sentimos o vento que sopra de dentro do abismo ignoto.

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