Coisas do Coração
Certa noite, perguntei a mim mesmo: Por que é que penso tanto em ti? Ao passo que imediatamente, surgiu daqui de dentro uma indagação!
“És um tolo se ainda não sabes o motivo, olhe para dentro de seu coração, e veja o que este velho amigo de vós tem a lhe mostrar”.
E então, obedecendo à consciência, assim o fiz.
E não por meio de palavras obtive respostas, pois a linguagem é limitada no que diz respeito às coisas do coração.
Esqueci-me de mim mesmo, pus-me de lado, como que abandonado às margens do pensamento, e somente assim em total quietude pude contemplar aqui dentro um lago, não mais um lago turbulento e traiçoeiro, mas um lago cristalino e límpido. E em seu reflexo pude finalmente ver!
“O que viu?”
Vi os teus gestos, plenos de serenidade e espontaneidade;
Vi teus olhos, refletindo toda a sensibilidade, ternura e melancolia que preenche tua bela alma;
Vi teus lábios, ah os teus lábios... Tão doces e repletos de encantos, capazes de entoar a mais bela das canções, que fazem-me perder a noção do que é real;
Vi teu sorriso, radiante de beleza e claro como o sol da alvorada, que leva embora angústias de noites gélidas...
Só então percebi que nenhuma resposta, seja ela qual for, seria o suficiente. Porque o que fora concebido aqui dentro é muito maior do que qualquer palavra ou pensamento. Está para além do bem e do mal, e muito mais além do que qualquer compreensão racional...
“Que farás agora?”
Quanto a isso... No momento certo o coração saberá.