Pequeno ensaio
Não sei mais quem sou, se é que algum dia fui alguém. Aquilo que já vivi parece ter sido outra pessoa, lembranças de um estranho adormecido em meu coração. As memórias que carrego são como sombras distantes, ecoando em um vazio que não consigo preencher. Se algum dia cheguei a trilhar um caminho, perdi-me no emaranhado de cruzamentos e estradas percorridas ao longo dos anos. Caminhos que se desdobravam diante de mim como labirintos intrincados, repletos de escolhas e desvios. Tantos longos anos que, ao mesmo tempo, parecem minutos, fragmentos de tempo estilhaçados ao chão, como peças de um quebra-cabeça interminável, do qual já não tenho mais esperança de decifrar. As jornadas que percorri, as faces que encontrei, todas parecem pertencer a um sonho distante. Cada momento vivido, cada sorriso e lágrima, par...
